quinta-feira, 18 de junho de 2009

meus amigos, meus comparsas...

...daqui a poucos dias estarei de volta a Fortaleza. Causará certa estranheza ouvir novamente esse sotaque nosso (pq é tb meu),esse nosso jeito meio enérgico, mas cheio de graça. Chego num meio de semana, não será possível ver todos, todas as pessoas que me são caras e que desejo rever. terei pouquinho tempo pra vê-las, tomar uma gelada no barzinho, senti todo o clima dessa cidade que me fez tanto, que me fez tão afeito a ela.

serão encontros furtivos, rápidos, urgentes...será bom rever, e rever é ver com o outro olhar, aquele que nunca será mais o mesmo olhar, mas cheio de graça ainda. não sei e não quero saber do que vou esperar..."o que eu vou ver, eu sei lá"

...daqui a poucos dias estarei de volta pro cantinho que mais me constitui. lá onde não preciso me explicar, pq me aceitam, lá onde não faço caras nem bocas pra fazer imagem, lá sou sorrisospra cada um dos seres que me fazem inspirar fundo e sempre evitar o fundo.

são meus amigos, comparsas do meu crime...o mais elaborado e bem acabado...ser feliz de olhos abertos e fechados.

saudações universais!

sábado, 13 de junho de 2009

baile dos namorados

ele sentou numa mesa de bar
vagabundos, ele e o bar
lá pelas tantas de cerveja
entre um petisco e outro
soltou:
não quero alguém melhor que você
quero alguém melhor que eu

esse dito fê-lo erguer a mão
pedir a conta e nunca mais
cair nessa de comemorar
o dia dos namorados.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

leve esse seu desespero pra bem longe de mim
vi nos livros,
nos discos,
na conversa em mesa de bar,
nos espaços em branco entre cada palavra,
vai dar certo.
ah, mas vai.

leve esse seu desespero pra bem longe de mim
me deixe aqui pulsante e inquieto
longe do desespero, mas debaixo de um teto
leve essa agonia pra longe, pros confins

vai dar certo
ah, mas vai.

eu vi não sei se foi no jornal, na televisão
ou num rock indie que me caiu nos ouvidos
não sei bem onde foi, mas ouvi
sei que vivo dentro e fora de uma canção.

leve esse seu desespero lá pros confins
do mundo, de mim, de quem não crê nisso
é cheio de sorriso que mando o recado
e lá, ressoa, resvala esse meu grito

vai dar certo
ah, mas vai.



"She and Him"...muito bom disco...o clima é esse....

Saudações universais!!!!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Malandro, olha a displicência!

DISPLICÊNCIA

Você quer viver só de amor
Mas de amor não quer morrer
Quer queimar-se nessa brasa
Mas reclama ao sentir doer

Você quer consumir, veja só
O que na vida há de melhor
Mas, se lhe cobram um vintém
Finge pra todos que não tem

Tire da chuva o seu cavalo
Sua crista trate de abaixar
Do amor,tudo o que se sabe
É muito pouco pra se gabar

Pise bem de leve nesse chão
Onde muito já se escorregou
Espere essa massa virar pão
Que a tantos já alimentou

Digo, decerto com ciência
Aguarde pela hora da virada
Quem no amor não acha nada
Vive em eterna displicência

quarta-feira, 27 de maio de 2009

olho pela janela e encontro
palavras suspensas no varal
atônitas, procurando uma boca
ávida por desejar.

lá esvoaçam, não obedecendo
a nenhum padrão, soltinhas
minimamente presas aqui e ali
prontas a voar.

esboça um tango, a vermelha
cheia de si carrega a ventura
como a passar a mão pela cintura
de quem não há.

uma azul esbranquiçada e mansa
baila num rodopio infinito
faz tremer qualquer ciência
que lhe queira dissecar.

a verde, paciente medita
em uma nobre e casta solução
não cede fácil aos caprichos
modera então.

as palavras procuram bocas
pra serem ditas, ouvidas
pra sonhos alimentar.

quando chegar esse dia,
todas elas, no varal estendidas,
despregadas, vestirão
um corpo de desejo ávido.

terça-feira, 26 de maio de 2009

dois pra lá, dois pra cá

pronto, você é a minha musa!

não é assim...

por que não, se é tão mais fácil?

mas não é assim, eu não quero ser sua musa.

não?

bom, ainda não...mas

esse teu mas é como um violão quebrado na minha cabeça.

não quero ser musa, acho. falei.

então, quer ser minha namorada?

melhor, muito melhor.

deram-se as mãos, beijam-se na boca e vão por ai. ele, sem musa, ela, sem poeta. algo me diz que podemos chamar isso de habitar poeticamente o mundo.

ah, dançam todo sábado na gafieira.

sábado, 23 de maio de 2009

Não vamos falar de solidão
... que custa muito a acabar e é assunto sem volta.
Tampouco vamos falar de politica
...que ao lado de religião e futebol, não ouso.
E passado é assunto já pra lá de passado
...que é só poeira, entulho, glória e lamento.
O diacho diz pra eu falar de sentimento
...que é jogo de empate, mas todo mundo quer ganhar.
Convém falarmos da natureza
..que é beleza até...ser tocada.
Palestremos então sobre seu Zé, aquele do bar
...que é pra falar de tudo e acabar falando nada.

Do que vamos falar, meu amigo
Nesse princípio de madrugada?

Não sei, vamos falar, só falar
Me vexo demais em ver aqueles
Que, por medo de não saber o que falar,
Não falam e não se livram de se curar?

Curar de quê, cara-pálida?

Não sei, de uma doença qualquer
Porque a gente só adoece e se cura falando
Pra dentro, pra fora, pra alguém, pra nada.

Deixe de extremo e passe logo a gelada

É esse clima aí, malandro!

*essa idéia de adoecer e se curar na linguagem é na verdade algo que li em BARTHES, Roland.