amor é quando você decide fatiar a vida
e elege um pedaço como seu.
sexta-feira, 23 de março de 2012
quinta-feira, 8 de março de 2012
sábado, 3 de março de 2012
solidão.
fiquei guardando pra falar disso, mas dava preguiça. pois diárias são as ocupações.
já saí muitas vezes da mesa do bar, da sala de aula, do ponto de ônibus, da sala-de-estar, do bate-papo formal ou informal, deixando a fortíssima impressão de que sou o 'do contra'.
discutindo sobre a função do palhaço, por exemplo, eu fui do 'contra'. disseram: 'o palhaço é aquele que faz rir'
discordei.
e sempre o farei caso perceba que essa discordância me soa internamente honesta e coerente, caso sinta que minha reflexão [e tudo que vem dentro de uma reflexão...] possa ser conversável, dialogável.
disse então que, de forma alguma, a missão do palhaço seria fazer rir. imaginem a cara das pessoas. concretizo aqui algumas possíveis sentenças que lhes ocorreram:
'do contra';
'que mania feia de discordar de tudo';
'ele pensa que sabe mais';
'chato'.
o fato é que você pode discordar de tudo, menos da perspectiva com a qual a pessoa olha para os fatos. em tempos como o nosso, criticar tal perspectiva equivale a destruir a própria fé da pessoa, essa nossa tábua de salvação frente ao caos digerível.
mas acho que é justamente a única coisa que se pode e deve criticar. não me sinto à vontade pra criticar suas preferências, seus gostos, sua banda, nem a sua visão política. são seus, ora!
mas posso criticar e ser criticado pela perspectiva com a qual eu ou você abraçamos nossas preferências, gostos...
um palhaço não é pra fazer rir. ele sabe disso.
há palhaços maquiados com mil cores, só com branco, sem maquiagem, figurnos extravagentes, um terno, um terno rasgado.
um palhaço existe pra demonstrar todo o ridículo da existência humana. ele constroi junto a seu público a percepção mais perfeitamente realizada de que essa existência não serve para nada, e assim pode até servir pra alguma coisa, entende?
e o riso, onde entra nisso? porque os palhaços causam riso. verdade.
mas causar riso não é a meta do palhaço. a meta é demonstrar o ridículo da existência humana e o riso não é causa, mas consequência nesse processo.
um palhaço que pretende apenas fazer rir por rir sabe que está sozinho, sabe que seu público não está com ele, não há comunhão. há um monólogo. e isso não tem graça.
rimos do palhaço que tropeça não uma, mas três vezes num mesmo obstáculo. rimos do palhaço que senta numa cadeira que supostamente era pra estar ali. rimos rimos de um palhaço numa repartição pública.
tropeçar três vezes num obstáculo, sentar numa cadeira que julgávamos estar lá, sentir-se perdido e inadequado num local não me parecem serem coisas engraçadas. [suponhamos que o palhaço esteja o mais limpo de maquiagem possível]. situações que podem soar até angustiantes pra certas pessoas. mas rimos, mesmo que o riso seja de pretensa superioridade ao julgarmos tudo aquilo muito bobo. há um riso, de deboche, mas há.
o objetivo de um palhaço é demonstrar, com ou sem palavras, esse ridículo de não termos certeza de nada, de que ninguém descobriu o segredo da vida e por isso somos todos ridiculamente iguais perante às situações, apesar de que nos diferenciamos por graus [sociais, sentimentais...]. o riso vem à reboque, porque rir é uma forma de sobrevivermos à essa existência. é tão necessário quanto alimento e agasalho.
tudo isso eu argumentei. e, claro, bocas e olhares virados contra mim. eu sempre levanto questões vencidas, é a minha natureza.
imagina, sustentar a opinião de que palhaço num é pra fazer rir, que o riso é a consequência da sua verdadeira função...porque, pra mim, alguns palhaços são mais geniais que muitos filósofos e pensadores, sou bem tranquilo quanto a isso...
e o que tudo isso tem a ver com solidão?
conheco raras pessoas que optam por criticarem a perspectiva e não as escolhas dos outros, me irmano logo com elas, pois sei que, com todo bem ou todo mal, não somos muitos.
me sinto só nesse sentido, pois não sou 'do contra', gosto de discutir, conversar perspectivas [além de outras bobagens, claro...], gosto de abalar e ser abalado.
gosto de ouvir o que o outro tem a dizer, mas quando é comigo sinto uma certa impaciência, como se eu estivesse sendo incômodo. vai ver é isso.
adoro ouvidos atentos e atenção carinhosa, pois é dando que se recebe. daí confesso meu encanto por quem, a seu modo, também torce a perspectiva. não me sinto doer nada, mas percebo que fui abalado em algum sentido e isso me encanta.
querer estar só, estar de bem consigo não é solidão. pois você sabe que pode ir até as pessoas e que elas também vêm. claro, há variações nesse movimento.
solidão é olhar pros lados, querer alguém, precisar de alguém e ninguém há.
essa cena, alias, ficaria muito bem na pele de um palhaço, não?
é esse o clima.
fiquei guardando pra falar disso, mas dava preguiça. pois diárias são as ocupações.
já saí muitas vezes da mesa do bar, da sala de aula, do ponto de ônibus, da sala-de-estar, do bate-papo formal ou informal, deixando a fortíssima impressão de que sou o 'do contra'.
discutindo sobre a função do palhaço, por exemplo, eu fui do 'contra'. disseram: 'o palhaço é aquele que faz rir'
discordei.
e sempre o farei caso perceba que essa discordância me soa internamente honesta e coerente, caso sinta que minha reflexão [e tudo que vem dentro de uma reflexão...] possa ser conversável, dialogável.
disse então que, de forma alguma, a missão do palhaço seria fazer rir. imaginem a cara das pessoas. concretizo aqui algumas possíveis sentenças que lhes ocorreram:
'do contra';
'que mania feia de discordar de tudo';
'ele pensa que sabe mais';
'chato'.
o fato é que você pode discordar de tudo, menos da perspectiva com a qual a pessoa olha para os fatos. em tempos como o nosso, criticar tal perspectiva equivale a destruir a própria fé da pessoa, essa nossa tábua de salvação frente ao caos digerível.
mas acho que é justamente a única coisa que se pode e deve criticar. não me sinto à vontade pra criticar suas preferências, seus gostos, sua banda, nem a sua visão política. são seus, ora!
mas posso criticar e ser criticado pela perspectiva com a qual eu ou você abraçamos nossas preferências, gostos...
um palhaço não é pra fazer rir. ele sabe disso.
há palhaços maquiados com mil cores, só com branco, sem maquiagem, figurnos extravagentes, um terno, um terno rasgado.
um palhaço existe pra demonstrar todo o ridículo da existência humana. ele constroi junto a seu público a percepção mais perfeitamente realizada de que essa existência não serve para nada, e assim pode até servir pra alguma coisa, entende?
e o riso, onde entra nisso? porque os palhaços causam riso. verdade.
mas causar riso não é a meta do palhaço. a meta é demonstrar o ridículo da existência humana e o riso não é causa, mas consequência nesse processo.
um palhaço que pretende apenas fazer rir por rir sabe que está sozinho, sabe que seu público não está com ele, não há comunhão. há um monólogo. e isso não tem graça.
rimos do palhaço que tropeça não uma, mas três vezes num mesmo obstáculo. rimos do palhaço que senta numa cadeira que supostamente era pra estar ali. rimos rimos de um palhaço numa repartição pública.
tropeçar três vezes num obstáculo, sentar numa cadeira que julgávamos estar lá, sentir-se perdido e inadequado num local não me parecem serem coisas engraçadas. [suponhamos que o palhaço esteja o mais limpo de maquiagem possível]. situações que podem soar até angustiantes pra certas pessoas. mas rimos, mesmo que o riso seja de pretensa superioridade ao julgarmos tudo aquilo muito bobo. há um riso, de deboche, mas há.
o objetivo de um palhaço é demonstrar, com ou sem palavras, esse ridículo de não termos certeza de nada, de que ninguém descobriu o segredo da vida e por isso somos todos ridiculamente iguais perante às situações, apesar de que nos diferenciamos por graus [sociais, sentimentais...]. o riso vem à reboque, porque rir é uma forma de sobrevivermos à essa existência. é tão necessário quanto alimento e agasalho.
tudo isso eu argumentei. e, claro, bocas e olhares virados contra mim. eu sempre levanto questões vencidas, é a minha natureza.
imagina, sustentar a opinião de que palhaço num é pra fazer rir, que o riso é a consequência da sua verdadeira função...porque, pra mim, alguns palhaços são mais geniais que muitos filósofos e pensadores, sou bem tranquilo quanto a isso...
e o que tudo isso tem a ver com solidão?
conheco raras pessoas que optam por criticarem a perspectiva e não as escolhas dos outros, me irmano logo com elas, pois sei que, com todo bem ou todo mal, não somos muitos.
me sinto só nesse sentido, pois não sou 'do contra', gosto de discutir, conversar perspectivas [além de outras bobagens, claro...], gosto de abalar e ser abalado.
gosto de ouvir o que o outro tem a dizer, mas quando é comigo sinto uma certa impaciência, como se eu estivesse sendo incômodo. vai ver é isso.
adoro ouvidos atentos e atenção carinhosa, pois é dando que se recebe. daí confesso meu encanto por quem, a seu modo, também torce a perspectiva. não me sinto doer nada, mas percebo que fui abalado em algum sentido e isso me encanta.
querer estar só, estar de bem consigo não é solidão. pois você sabe que pode ir até as pessoas e que elas também vêm. claro, há variações nesse movimento.
solidão é olhar pros lados, querer alguém, precisar de alguém e ninguém há.
essa cena, alias, ficaria muito bem na pele de um palhaço, não?
é esse o clima.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
andei meio afastado do blog.
faz tempo que não escrevinho aqui. é que andei meio inquieto com tudo.
umas inquietudes fortes sobre o andar da carruagem, sobre caminhar na estrada, sobre o caminho, sobre as passadas, sobre o caminhante.
às vezes, à janela da condução, voltando de algum lugar, fico absorto na paisagem, respiro a brisa e me envolvo com aquele momento como se eu mesmo e os meus problemas não existissem.como se não fosse comigo. eu preciso disso, respirar esse ar, porque cansa muito coincidir consigo mesmo o tempo todo. é preciso se misturar ao ar de vez em quando.
repirando a brisa não há problema, não há outra coisa a não ser a incrível sensação de que não sabemos como a vida funciona.
faz tempo que não escrevinho aqui. é que andei meio inquieto com tudo.
umas inquietudes fortes sobre o andar da carruagem, sobre caminhar na estrada, sobre o caminho, sobre as passadas, sobre o caminhante.
às vezes, à janela da condução, voltando de algum lugar, fico absorto na paisagem, respiro a brisa e me envolvo com aquele momento como se eu mesmo e os meus problemas não existissem.como se não fosse comigo. eu preciso disso, respirar esse ar, porque cansa muito coincidir consigo mesmo o tempo todo. é preciso se misturar ao ar de vez em quando.
repirando a brisa não há problema, não há outra coisa a não ser a incrível sensação de que não sabemos como a vida funciona.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
faz algumas semanas.
sensação de estranheza.
nada muito apartado do que já senti outras vezes. vez em quando me bate essa estranheza de estar habitando a terra, e, ao piscar de olhos, marte.
tudo assume uma estranheza regular.
o bom dia sai estranho, as passadas se desencontram e tropeço em obstáculos invisíveis.
pedras, pedrinhas, pedregulhos inobserváveis me descopassam a caminho do mercado.
o abraço sai enviesado, a tentativa de ser trivial falha, as palavras se enrolam.
os protocolos, meus deus, foram todos pro espaço.
hoje, feito ontem, procuro inspirar uma plenitude, esse aerosol contra toda a ânsia, com força e de uma vez só.
mas não é essa a posologia.
sensação de estranheza.
nada muito apartado do que já senti outras vezes. vez em quando me bate essa estranheza de estar habitando a terra, e, ao piscar de olhos, marte.
tudo assume uma estranheza regular.
o bom dia sai estranho, as passadas se desencontram e tropeço em obstáculos invisíveis.
pedras, pedrinhas, pedregulhos inobserváveis me descopassam a caminho do mercado.
o abraço sai enviesado, a tentativa de ser trivial falha, as palavras se enrolam.
os protocolos, meus deus, foram todos pro espaço.
hoje, feito ontem, procuro inspirar uma plenitude, esse aerosol contra toda a ânsia, com força e de uma vez só.
mas não é essa a posologia.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
ontem fui ao cinema tentar assistir 'a música segundo tom jobim', mas tudo que consegui foi comprar o livro 'ho-ba-la-la, à procura de joão gilberto', à venda na ante-sala do cinema.
um livro sensível e delicado de um fã [alemão] que, mesmo sabendo ser joão um misantropo, queria que ele tocasse a canção ho-ba-la-la em seu violão. e só.
nada mais. sem fotos. sem videos, sem paparicagem.
trata-se de um relato real, ele, de fato, veio ao rio tentar tal proeza, e como fã, foi tateando devagarzinho uma forma de chegar junto, sabedor de que seu ídolo é avesso a contatos com outras pessoas que não sejam miucha, otávio terceiro, cláudia e lulu.
ele vai desfilando um olhar tão profundo sobre a musica do joão, olhar que o autor, marc fischer, aprendeu com um oriental também fã de joão. [aliás, a galera oriental adora villa-lobos e bossa-nova...].
muitas vezes, por não gostar de ficar me explicando, não sou capaz de demosntar a profundidade e a carga que a música do joão carrega, a não ser tentando demosntrar, o que fica parecendo muito piegas e auto-promocional também.
confesso que chorei.
quando ouço joão é como se escutasse uma voz que sempre anseia por plenitude, uma perfeição absoluta que inunda tudo. romântica, por excelência, tenta encher a si e a quem ouve de uma sensação de absoluto.
um sentimento de que a música não pode ser menos do que seu corpo todo pede. do que sua existência lhe grita.
confesso que me identifico muito com joão. uma identificação que só me veio muito tarde. identificação que veio não pela fama de gênio ou isso e aquilo, veio porque eu ouvi e me deixei ser abalado.
necessidade de aceitação e irascibilidade costumam andar juntas. chamam arrogância o resultado disso.
já disse pra amigos e pessoas a quem deposito um traço de confiança que as pessoas me cansam, não sei bem se porque não as suporto ou as amo demais, mas me sinto exausto na presença delas, como se fosse demais pra mim, beleza demais, demais vividez, muito pulso e pulsação. o que encanta e cansa.
comentei com tais pessoas que meu grande sonho é poder viver afastado de todos, tendo a opção de vê-las quando quisesse e pudesse e o coração suportasse. daí ontem lí essas palavras de marc sobre joão, e, honestamente, chorei na ante-sala do cinema:
"Dizem que odeia tanto as pessoas que não consegue suportá-las.
Dizem que ama tanto as pessoas que não consegue suportá-las"
um livro sensível e delicado de um fã [alemão] que, mesmo sabendo ser joão um misantropo, queria que ele tocasse a canção ho-ba-la-la em seu violão. e só.
nada mais. sem fotos. sem videos, sem paparicagem.
trata-se de um relato real, ele, de fato, veio ao rio tentar tal proeza, e como fã, foi tateando devagarzinho uma forma de chegar junto, sabedor de que seu ídolo é avesso a contatos com outras pessoas que não sejam miucha, otávio terceiro, cláudia e lulu.
ele vai desfilando um olhar tão profundo sobre a musica do joão, olhar que o autor, marc fischer, aprendeu com um oriental também fã de joão. [aliás, a galera oriental adora villa-lobos e bossa-nova...].
muitas vezes, por não gostar de ficar me explicando, não sou capaz de demosntar a profundidade e a carga que a música do joão carrega, a não ser tentando demosntrar, o que fica parecendo muito piegas e auto-promocional também.
confesso que chorei.
quando ouço joão é como se escutasse uma voz que sempre anseia por plenitude, uma perfeição absoluta que inunda tudo. romântica, por excelência, tenta encher a si e a quem ouve de uma sensação de absoluto.
um sentimento de que a música não pode ser menos do que seu corpo todo pede. do que sua existência lhe grita.
confesso que me identifico muito com joão. uma identificação que só me veio muito tarde. identificação que veio não pela fama de gênio ou isso e aquilo, veio porque eu ouvi e me deixei ser abalado.
necessidade de aceitação e irascibilidade costumam andar juntas. chamam arrogância o resultado disso.
já disse pra amigos e pessoas a quem deposito um traço de confiança que as pessoas me cansam, não sei bem se porque não as suporto ou as amo demais, mas me sinto exausto na presença delas, como se fosse demais pra mim, beleza demais, demais vividez, muito pulso e pulsação. o que encanta e cansa.
comentei com tais pessoas que meu grande sonho é poder viver afastado de todos, tendo a opção de vê-las quando quisesse e pudesse e o coração suportasse. daí ontem lí essas palavras de marc sobre joão, e, honestamente, chorei na ante-sala do cinema:
"Dizem que odeia tanto as pessoas que não consegue suportá-las.
Dizem que ama tanto as pessoas que não consegue suportá-las"
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