sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

acabei de ver...tive um poema selecionado pra 7a bienal da une que será no rio!
eba!
que venha 2011!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

hoje mesmo, deitado na cama, olhando pela janela pro céu e três fios do poste vi um pássaro pousado sobre um dos fios. repeti pra mim mesmo aquela pergunta sempre infantil, 'porque eles não tomam um choque?'.pensei em pegar meu celular e gravar o pardal sozinho trinando sobre um fio de eletricidade, mas não fiz. essas imagens a gente guarda pra si.
há um tiquinho de egoismo nisso, mas ha também a necessidade de que aquela imagem seja pra sempre aquilo que pensei dela e não outra coisa diferente.

é esse o clima...
dis desses fiz uma musica, agora to procurando a letra dela.
há de aparecer, pois essas coisas simplesmente aparecem.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

no entanto, não perdi minha fé nas pessoas, não em todas, só em algumas...se eu pudesse criaria um lema...não!não!não aos mesmos erros do passado!não importa se quando ela sorri tudo fica mais bonito!não!não!não!

...teimoso como uma mula.
como seria bom perdoar a todos, ser perdoado por todos, esbanjar sinceridade e amor, esquecer as mágoas que tenho e as que faço ter, mas...

deixo essa oportunidade pro proximo trouxa da rodada.
hoje recebi a visita de uma amiga aqui no rio.
passei com ela por copa e ipanema.mostrei um pouco de como anda a minha vida...
claro, rolaram papos sentimentais. disse a ela que tinha terminado meu relacionamento...ela ficou muito surpresa, achou que tudo ia de vento em polpa!

de fato terminei um relacionamento longo. se dissesse que não sinto saudades dela eu estaria mentindo. não terminamos porque não lhe tenho afeto, ou porque pintou outra pessoa na jogada, mas porque somos um casal impraticável.
hoje senti uma falta incomum dela, mas sei que isso é fase...bem, se eu pudesse dizer a ela...eu diria que ela foi
uma namorada incrível, de uma dedicação e esforço que impressiona, de uma proteção e afeto incomensuráveis.
de um temperamente forte, instável, por vezes inflamável, bastando uma simples, muito simples fagulha pra destruir roma em chamas. mas também generosa quando não se sente a obrigada a isso.
uma pessoa que gosta de cores vibrantes, mas que se debatae ante duas missões bem internas:
ser espontaneamente a menina legal e divertida que ela já foi um dia e ser a adulta responsável e atenta que o mundo lhe cobre que seja;

é algo muito dificil, é como juntar água e óleo. acredito que todos nós temos nossas missões internas, uma final de campeonato que travamos com nós mesmos.

eu tenho a minha também, e acho que nossas missões internas se incompatbilizam tanto, tanto ao ponto de se tornar visível. claro, quando tudo está bem, não há o que se explicar, estamos bem e pronto...mas é na hora da dificuldade que ressaltam todas as diferenças, a briga é o outro em tensão máxima, é você em tensão máxima. nessa hora parecíamos dois alienígenas, não havia o menor entendimento, e aqui sim é necessário achar uma explicação, sanar um problema. e tentamos, alguns foram bem sanáveis e sanados, outros são impossíveis.

havia muita discussão virando briga nesse relacionamento, e eu detesto discussão e briga. me explico: não tenho nada contra conversar, discutir, mesmo que de forma tensa, mas apenas se for pra resolver um problema. eu costumava pensar que pra ela, discutir é que nem viajar ou tomar aquele porre do mês pra mim...pq depois do porre você parece que renasceu um pouco, a impressão é de que tudo está novo...
depois de uma discussão ela sentia melhor a quantas andava nosso relacionamento, e eu entendo porque ela fazia isso.

na cabeça dela eu sou uma pessoa meio distante, meio 'não sei o que se passa dentro dele', daí ela promovia essas discussões pra que eu 'pusesse pra fora' aquilo que ela, como namorada, precisava saber. justo.
mas sabe o que?...eu procurava dizer com certa constância o que sentia por-com ela, mas quando isso começou a gerar brigas, passei a internalizar que fazer isso era pedir pra discutir feio. mais uma vez nossas missões internas...

ela encarava tudo isso entre a gente de forma muito séria e sisuda, éramos apenas namorados, mas ela queria me tratar como se já fossemos casados. controlar horarios, com quem saio, que horas saio e volto. me desculpem, mas essa não é a minha idéia de relacionamento...a dela é, ela se sente bem nessa posição, eu não.
quero sim ter uma familia, fazer parte desse clã ancestral e inexplicável chamado família, mas não assim, mas não desse jeito. me vi num relacionamento onde passar 2 meses sem briga era motivo de comemoração...veja lá...assim não dá. me ví no futuro fazendo parte daqueles casais indiscretos, relaxados, que discutem até o ponto de não saberem mais porque discutem, casais que se 'amam', mas não se entendem.

veja bem, se só tem arroz no seu prato, você quer feijão também. não adianta todo o amor do mundo sem entendimento, e só entendimento sem amor...não tem sabor.

terminei. sei que fiz uma pessoa sofrer pois, como uma boa canceriana, ela sempre põe muita expectativa no relacionamento, mas eu tenho essa dificuldade inconfessável...me dê liberdade e fico à sua mercê, mas me prenda e simplesmente balanço a cabeça e vou embora....um sopro de liberdade deixa qualquer relacionamento mais legal.

se dissesse que não estou triste estaria mentindo. ainda não nos vimos nem nos falamos depois de tudo. não sei como será.

me sinto como um personagem do 'comédia' da mtv...o fábio renato...que sempre começa falando "olá a toodos, são 4 e 15 da manhã..."

saudações...

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

amor a gente não pede
ou você tem amor ou não.

domingo, 5 de dezembro de 2010

eu não tenho muitas questões
mas respostas aos montões.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

ouvir a professora que aceita fazer parte da sua banca
enquanto ela anota o telefone num pedaço de papel vagabundo
escorando-o na parede e dizendo 'oba' entre curiiosa e otimista
sei lá..


não tem preço!
quero ter a chance de não perembular ao meu redor
arriscar outras áreas, outros perímetros
e nunca me acostumar com aquilo que sou
.
tomar uma cerveja no rio tem que ser rapidinho, rapidinho como quem rouba, rapidinho com coice de bacurim...pq o calor tá de matar.
peguei uma cerva do congelador e na 3a musica da amy ela já tá simplesmente quente.po!

é a vida.cabeça erguida, neguim.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

hoje ví a palavra fácil pregada na lateral de um ônibus
mas a vida, a vida não é fácil...
que isso não tire sua beleza, seu sabor.
a vida não é à prova de infelicidades
não é imune às dores.

mas não é saber isso que faz bela a vida.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

minha nostalgia me faz olhar sempre pra frente
porque temo meu passado.
tenho receio de minhas lembranças,
de que a beleza delas me ofusque num eterno relembrar;
tenho medo de nunca sair disso.

devido a tal contigência é que não olho pra trás.

mas minha nostalgia é imensa e avassala,
olho as pessoas e me parecem sempre já conhecidas
sempre já chegadas, já de casa.
mas não são.
por isso evito o passado, tratar um desconhecido
como um de casa....
há muitas bobagens contidas nessa atitude.

só quero o passado até o momento em que
ele não me atormente, mas me acaricie.

para além disso, me diga
quem precisa de passado?

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

um pouco de choro
só um pouquinho
é bom pra lavar a alma.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

evito que a verdade me entristeça e que a mentira me vende os olhos.
porque eu preciso das duas.
a verdade as vezes coincide com um ponto onde não há dor
onde não nos sentimos imaginariamente espancados.
momento esse em que a mentira nos livra de uma dor absurda
uma barreira quase incontornável que contornamos cegamente.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

olho pro lado e pro outro
fazendo contas algébricas
com  número dos prédios
tentando juntá-los,
com o número das conduções
numa orgia algébrica,
tentando assemelha-los
a números reconhecíveis
que me tragam de volta
lembranças agradáveis;
e nada.
a felicidade costuma se enganar na entrada, mas sempre acerta na saída.

a felicidade tem documentos falsos, cpf e rg
mas anda resoluta de chapéu  na mão.

a felicidade é qualquer coisa que se esgarça
não pela mão do homem, mas do tempo.


em ambiente deveras convulso
a felicidade sorri, dá um soluço
pede desculpas e prossegue.

nada detem a felicidade.

domingo, 21 de novembro de 2010

não rezo mais por uma pessoa ideal, mas por uma situação ideal.
estou farto de pessoas certas nas horas erradas.
estou cansado dessa situação.
quero me sentir na hora certa, com a pessoa certa.
estou pedindo muito?
não, não estou.

tenha fé, virá.
você não entende que muitas coisas ditas bobas
só são ditas bobas, mas não bobas.

tenha calma antes de olhar sem atenção pra elas.

muitos gênios passaram batidos em seus propósitos
e muitos bobos também, sacaste?
to tentando terminar duas músicas.
sem pressa, sem aperreio, deixa vir.

sábado, 20 de novembro de 2010

um sonho não nasce ao acaso, mas do acaso.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

um rapaz bem-nascido, mas também mal-criado.

domingo, 14 de novembro de 2010

algumas prestam atenção demais.
outros de menos.

alguns riem demais
e outros de menos.

se combinadas de forma inversamente proporcional
tais ingredientes garantem, friso, garantem, conforto e prosperidade.
vivenciando a experiência da troca.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

quem fala é a boca
mas é o coração que bombeia
todas a palavras até lá.

esse metafórico coração
importa tanto quanto
um mané-gostoso
pra um menino pidão.

quisera eu virar a borda
e emborcar todos pra dentro
do meu coração suspeito.

dia desses
dia desses.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

me pego sonhando sonhos razoáveis
climas onde não me sinta desconfortável
pratos que me parecam palatáveis.

esse sonho que venho tendo
carece de alguém ao lado
mas não ando mordido
nem ressabiado

o que estiver chegando
está bem chegado.

mas não quero nem a violência do ter
nem a displicência do ser.

o que está, deixe estando.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

você me fala com queixume que anda pela superfície
mas não se sinta triste com isso
a superfície tem sua grande vantagem,
com sua gravidade te prende ao chão
com suas micro rugosidades te impede de vagar a esmo.

mas nada na superfície é fácil, é preciso senti-la
naquilo que ela pode te confortar.

não me fale com queixume da superfície,
à noite, no escuro das profundezas de um sentimento
é por ela que muitos pedem.

sábado, 6 de novembro de 2010

sentir pena e fraqueza
é perder o rumo, a fortaleza,
trocar o raro e distinto amor
por um naco de certeza
de que a vida é resumo
pro acanhado espectador.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

20h-Multifoco Ao Vivo com Jossa Nova.Suas palmas e gritinhos ... on Twitpic

20h-Multifoco Ao Vivo com Jossa Nova.Suas palmas e gritinhos ... on Twitpic

É isso aí!
Esse é o flyer do Multifoco Ao vivo e dia 17 tem Jossa Nova!

:)
'esses são dias desleais...'

não poderia dizer que tudo está ruim, não está
nem que coisas boas não têm acontecido, pois têm.
o que posso dizer é que tudo tem estado complicado
e que eu ando complicando mais ainda as coisas.

às vezes me pergunto de onde vem tanta radicalidade
essa da minha pessoa.

bem, não tenho uma resposta boa, satisfatória.
eu sou meio banana e tenho receio de ser passado pra trás
de ser feito de bobo e acabo radicalizando.
não sei bem porque, mas de alguma forma
eu alimento internamente o sonho de que isso poderia ser perdoado
pelas pessoas que amo. quando não é, eu me sinto injustiçado.

claro, estou aqui confessando coisas inconfessáveis
um receio muito interno. claro que conscientemente
não espero que as pessoas que amo me perdoem a radicalidade.
mas lá no fundo, naquilo de mais humano em mim,
quando não penso, não reflito,e só sinto, é o que espero.

esse perdão gratuito que damos a outrem sem fala, sem murmurejo
porque ele é um ato, ele só tem força quando em ação.

a sensação da perda me fez sentir tudo muito esquisito
me sentir fraco, sem a devida força que nossos sonhos requisitam.
me sentí muito só, porque o sentimento da perda nos faz calados
não explicamos, pois quem entenderá? dai calamos.
perdemos duas vezes,
tanto a pessoa amada quanto as que podemos amar.

esse post surge da necessidade de dispersar um sentimento pesado,
um fardo.
e posso dizer que me sinto sim bem melhor.
sei que escolhi um caminho que por vezes é muito solitário
mas se você me perguntar se a solidão é um troço bom, digo que não
porque não é.
mas como se sai da solidão?
aos poucos, lentamente, nutrindo certa fé
pois bobo é quem não tem fé na hora em que se precisa ter fé.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

como é bom estar com alguém...
mas como é bom ficar e bem consigo..

por favor, me expliquem onde exatamente essas duas coisas se separaram?

terça-feira, 2 de novembro de 2010

como  é bom quando alguém sente o seu corpo,
o espasmo que ele faz quando você cheira.

mas isso tudo é sonho bom daqueles.

 ou é real?

até agora é sonho..só.

quem sabe amnahã.
dia desses colombo
escorado em seu leme
pensou como seria
bom um co-piloto.


eu cá penso de igual forma.

que bom seria...

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

sou cheio de medos, mas me armo de muita coragem [a que não tenho] para enfrentar.

mas o meu grande medo é de que pensem que estou fingindo e a partir disso finjam também
...
nessa hora eu me tornarei vulnerável, você será sensata com os pés no chão e eu serei inconsistente com minha cabeça nas nuvens.

[up in the air]

domingo, 31 de outubro de 2010

sabe quando você se sente consumido por uma espera?
eu estava assim nesses dias, mas passou.
agora consumo tempo em estado bruto.

era a crença de que tudo isso passaria que me alimentava
quando eu em sentia um tanto quanto desconsolado.

agora, de maos lavadas, me sinto bem confortável.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

meu começo aqui no rio foi bastante complicado.
uma cidade nova, o rio de janeiro, com sua beleza e o seu caos.
comas pessoas novas, diferentes que travavam no 'hã' a cada nova vez que eu falava algo.
sotaques diferentes, hábitos diferentes, uma vontade de me misturar a tudo e todos...mas tive que mastigar com muita calma tudo isso.

a verdade é que bem aos poucos as coisas estão acontecendo, e a cada dia me sinto mais próprio disso tudo.

é esse o clima!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

prosa é texto corrido
e poesia é texto correndo.

mais um papo divisor de águas com ela, minha neguinha, a rê.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

eu não grito mais.
já gastei minha voz
e a minha vez.

a questão não é
se o copo está
metade cheio
ou metade vazio.

mas sim, quem
derrubou o copo
no chão.
eu gosto desse instante, desse minuto em que nada está previamente dado, mas há uma promessa no ar.

promessa de bons ventos, gratas novidades.

eu gosto desse instante em que osso vira ouro e que só depende do meu gesto.

você olha pros lados e não sabe o que te acontecerá, mas não tenha medo porque é esse o instante em que tudo acontece e de onde você pode tirar a sua casquinha.

viva o instante do improvável.

sábado, 23 de outubro de 2010

minha já dizia, e ainda diz, que gente demais na cozinha só faz é atrapalhar.

a senhora tá bem certinha, minha mãe.
insensatez
que você fez.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

o que faço de mim?
neguim pensa que é fácil e eu digo
-neguim, pensa que é fácil?
daí neguim fala
-penso nada, só tiro onda!
daí penso, issaí neguim.
o clima é esse.
já te falei mas não custa repetir, nobody stands between me and my valerie!
-mas faça disso, ouça muita música, veja arte para e em movimento e veja muito amor lá, porque se num for isso sua vida tem o que? tem nada, meu bem. já cansei dessa noite com gosto de plástico-bolha.
-o amor é só desgosto, meu bem. sabe quando você come um pedaço de carne e ele tem gosto, gosto que enche a boca, que te sacia...me diz se o amor tem tudo isso? meu bem, o amor tem nada, é como mastigar saco plástico...e o bucho, sempre, sempre vazio.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

paul maccartney disse que não dá pra fazer música sem um pouco de ignorância,
é sentar ao piano e imaginar que aquela canção ainda não existe.
agora entendo pq gosto tanto de beatles e dele.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

muito se engana você se acha que sofremos apenas pelo que nos fazem
também sofremos pelo que fazemos a nós através dos outros.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

sabe quando você toma uma atitude enérgica que muda o rumo das coisas?
depois pára e pensa, será que fiz certo?
será que eu exagerei?

sim, porque quando me sinto acossado eu exagero.

sábado, 16 de outubro de 2010

o sujeito perde e recupera a sanidade ouvindo 'golden slumber'
Carlos Pablito passa desavisadamente as folhas do álbum de fotografias,
foto a foto e nada disso lhe causa nenhuma sensação, nenhuma.

mas o coração acelera e o sangue para numa foto,
não adianta abrir e fechar a porta,
o passado não vem, não entra nem sai.

Carlos Pablito olha e pensa, tudo poderia ser diferente.
Podia o caramba Pablito, não pode mais.

Mas sente como se tudo pudesse se remediar
mediante um gesto.

O passado gasta você no presente
e você só pode pensar:

-Porra, Pablito, mais uma vez você fudeu tudo!

Esse é Pablito e com ele devemos ter calma.

Calma, Pablito...
não faça promessas sob nenhuma condição
nem na alegria, nem na tristeza.

você irá descumprí-las tão logo se esqueça
das certezas rondando seu coração.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

essas coisas passam. não adianta o peso, a força
eu demoro a entender esse rio passando.

hoje tive saudades dos meus pais. da minha rede
de tomar café no dudas e sonhar. dos meus amigos.

sentí saudade de convites inesperados
das bagunças edificantes.

mas nem tudo está perdido
abriremos a barriga do lobo e de lá retiramos todo nosso passado

essas delicadezas não percorrem mais cem metros rasos
agora não há tempo pra isso, mas sempre há tempo

de relembrar, que é a outra forma de sentir.
tocaremos violão numa praia, ao redor de uma fogueira.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

tenho 27 anos
mas é como se não os tivesse.
não os sinto sob meu controle
sob uma rédea qualquer.

tenho 27 anos e é como se eles
me consumissem continuamente
e caso eu me arrependa, nem descontar posso
eles não ligam pra mim e continuam passando.

desde então lamento pouco e rápido.
sempre tenho receio da segunda-feira.
pra mim é o dia em que parece que teremos de inventar a roda, descobrir a pólvora, algo assim...
se você só gastou a vida na sexta e no sábado é na segunda que você terá de recriá-la.

caneta e papel na mão.
nada é mais simples e necessário que se reinventar.
poucas coisas fazem sentido
e faço pouco de muitas das coisas que poderiam fazer sentido.
eu sou assim
deixo pra mais tarde. eu adio.
não há nada mais palatável que um prazer adiado.

é preciso deixar as coisas acontecerem num mundo paralelo
lá onde o gozo mora nas possibilidades, deixar isso vir dos ossos, chegar na carne, saltar da pele
e por fim brotar no olho.

sábado, 9 de outubro de 2010

sábado solar.
beatles no som.

é o que digo
na tristeza e na alegria, beatles.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

uma ventania só no rio.
portas batendo, roupa voando.
uma coisa!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

alguém já me perguntou porque falo mais de objetos do que de pessoas.


respondi que é porque a sensação de ser uma pessoa você já conhece, mas a de ser um objeto ainda não.

claro, fui pessimamente interpretado, tido até por arrogante.

como você reagiria ao ser chamado de algo que você não acha que é?

eu caí na risada.

é esse clima aí, malandro...

terça-feira, 5 de outubro de 2010

ontem dei um soco na parede.
porra, finalmente a merda das coisas "começam" a fazer sentido.
ca-ra-lho!

aleluia senhor por eu ser brasileiro e poder falar palavrões em português, que é a melhor lingua do mundo pra se xingar!


que vontade de chutar um balde, derrubar uma porta...gritar na cara do mundo, como já diria alguém...


...
um olhar mergulhado em cinismo, sorriso irônico de canto de boca também servem.
paredes, baldes e portas agradecem...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

a  política é uma bagunça e você não se conforma, mas deveria.

nosso sistema político é democrático.
duas coisas caracterizam bem a democracia:

1. a alternância de poder, do contrário seria uma autocracia, uma ditadura...
2. a possiblidade da intervenção popular, pelo voto, no caso.

ora, os políticos integram partidos políticos que se guiam por esse ou aquele ideal nobre ou não.
todos eles se unem perante um centro de poder, assembléia, congresso, essas coisas onde tentam 'emendar' as aspirações e necessidades de cada partido.
partidos.
partidos.
quando criança, minha mãe me ensinou que uma vez partido o vaso jamais ficaria igual ao que era antes.
partido
partido.

ou você se conforma com isso ou procura um outro jeito de viver.
o segredo guarda a alma do negócio.
uma mão no rosto,
o rosto no espelho,
um olhar desconfiado,
um suspiro ligeiro.

o que tem passado?
o tempo.
há quanto tempo?
o tempo inteiro.

o castanho do olho
não é tão mais ligeiro
que as contas do rosário,
que o terço inteiro.

o que tem passado?
o tempo.
há quanto tempo?
o tempo inteiro.

esboço um sorriso
mais metade que inteiro
passo ao largo disso
ao invés de passar no meio.

sábado, 2 de outubro de 2010

vice-versa

me deixe assim bem ordinário,
não sou de muito proveito.
você sabe, eu passo rápido
muito rápido do doce ao azedo.

do latim ao esperanto assim;
do cítrico ao amadeirado também;
do venha vosso o nosso reino ao amém;
do início ao pronto do fim.

eu consumo e assumo
mas só sumo se você
tergiversar como só
você sabe.

sábado.
o que me falta é um interlocutor.
aquele das horas imprecisas, quando a madrugada bate o seu rológio.
que simplesmente conversemos, ao som de beatles, fumando um cigarro ou bebendo vinho barato.
um interlocutor é uma personagem abstrata, bastante real na trama que lhe compõe
mas um tanto quanto irreal nesse chão acre e por vezes onduloso a que chamamos de realidade.

como eu queria que você se juntasse a mim no coro que entoa
'a realidade não é tudo'.
mas você tem medo porque desde a infância o quintal do outro é o quintal do outro.
é bonito mas não é feito pro seu pé.

e agora, como faço?

se tudo é poesia, desde os modernos, então me faça uma
me dedique uma lua que despenca
essas coisas.

a vida é feita de quê?
você pode seguir em frente sem essa resposta
mas esse texto não.
eu ia dormir, juro que ia.
mas aí me bateu os beatles nos ouvidos.

julia.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

é apenas uma suposição
mas vale a pena viver no sentido horário e anti-horário.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

A Jossa Nova se apresenta no projeto "Multifoco ao vivo" dia 17 de novembro às 21 hs.

O evento ocorrerá no Espaço Multifoco (Lapa).

Da apresentação resultará o disco "Multifoco ao vivo-Jossa Nova"

Em breve
Mais informações.

É esse o clima!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

teimoso como
uma mula!
esquecer é tão bom
ser esquecido não,
não é?

sábado, 25 de setembro de 2010

faz uns vinte minutos que não deixo a música acabar
ela é tão boa que tenho medo.
se ela acabar?
o que será daquele que a escuta?

atire uma pedra quem nunca sentiu isso.
droga, pra que fui ouvir ednardo?
quando o mundo apertar
me deixe com meus lp´s
numa rede por um tempo
ouvindo ben e de bem.
é só.
vejam só como são as coisas:
criamos um ritmo, mas deixamos morrer uma amizade.
certo dia eu treinava sozinho com meu tarol... frevo
meu grande amigo preso na alfaia de 16´ me chamou e disse:
-toca samba enquanto eu toco maracatu do baque virado.


deu um som inacreditável.
era samba.
era maracatu.
era sambaracatu.

faz dois anos que perdi contato com esse amigo.
o que faço aqui, a essa hora...
gasto tempo, ouço sons.
já estou quieto
quando penso onde isso vai dar.
já está dando.
dando carneiro
eu me dano
no rio de janeiro.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

-calma, pablito...nada te dá o direito de ser grosseiro.

disse a si mesmo bloqueando o teclado do seu celular, guardando no bolso e pensando na burrada que fez.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

eu não peço a sua atenção
ou você tem pra me dar
ou não.
que estranho poder é esse que faz do passado um monumento indisviável no nosso caminho?
a minha lógica pode não ser boa,
mas não chega a ser absurda.
é com ela que eu vou me virando,
vou embolando e desembolando.

canto triste
canto alegre
canto pra continuar.

é a minha lógica.

não há sentido na tristeza
como não há na alegria.
procurar sentido aqui
é o sinal do desespero.

mas se a vida fosse uma canção
se toda ela fosse uma canção e só
se não te restasse a possibilidade de pular a faixa
entoando para sempre um mesmo mantra
que canção seria?

seja feliz e aguente.

essa é a minha lógica.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

aprender a esquecer é tão saudável pro corpo e pra memória quanto aprender a lembrar.

na verdade nós esquecemos o tempo todo
e lembramos também.

esquecer é condição de lembrar.

mas tem outro detalhe,
lembrar é um verbo de pura ação. alguém lembra de você

mas pobre de você se foi substantivado e virou lembrança
pois daí pra frente a coisa só desanda.
não é mais verbo, é substantivo,
o que, no mundo das coisas móveis, pode ser encarado como um rebaixamento.

lembrar desnortea de um jeito bom
lembrança não faz um isso contigo e o coração nem agradece.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

sabe o que me faz falta aqui no rio?
uma boa rede pra me deitar
balançar com a ponta do pé na parede
ler minha leitura barata
sonhar meus sonhos caros.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

em tempos políticos a palavra readquire um valor, é quando as questões sobre linguagem costumam ganhar força na mídia.
discutimos sobre uma mera preposição, um adjunto, uma tautologia...não que essas coisas em si tenham interesse, mas demonstram uma série de caracteres que queremos ou ver expostos ou vê-los em falta para então procedermos nossa crítica pertinente.

a fala envolve aquele que devolve.

domingo, 19 de setembro de 2010

uma dica pra ti que não está conseguindo ver de forma alguma o lado positivo das coisas no mundo:

-pegue uma pilha e vire-a ao contrário.

isso não resolve o problema, mas cria a sensação de que existe sim o lado positivo.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

as pessoas falam em calma e sabedoria

mas há muita sabedoria na inquietude

e um quê de passividade na calma.

vê bem.
digo isso não apenas porque a linguagem me permite isso
(cruzar termos realizando uma suposta oposição semântica)
mas pelo fato de que se a linguagem me permite isso, é porque isso é possível.

não brinco em serviço
mas meu serviço é brincar.
o mundo fica mais bonito e engraçado
quando a gente é forte o bastante.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

silêncio é o fatoem espera.
Viva a Jossa-sa
quero me embriagar sobre meus textos.
se algum vinho manchar uma página
que seja, se bebi sobre eles
é que algo me chamava ai isso.

bebo pra comemorar
jamais pra compor
disso não sei tirar
muito menos por.

mas se hoje sou feliz
é que nada vezes nada
mais um tanto me fez assim.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

certa vez me disseram, em tom de acusação ou denúncia, não sei bem, que vivo num mundo paralelo.
algo assim:

-você, eduardo, vive num mundo paralelo e não se dá conta disso, as coisas não são como você acha...

lembro que na hora reagi abruptamente. discordei com a minha melhor cara de 'vou te matar'. mas agora compreendo que você estava certo.
digo que compreendo porque enxergo com mais clareza todo o bem e todo o mal que há na sua acusação ou denúncia, não sei bem...
de fato, vivo num mundo paralelo, feito uma cápsula da nasa que recria a falta da gravidade, eu vivo sob suspensão das regras que não me agradam, tentando aceitar algumas, quando disposto.
não que o meu mundo seja o canto das maravilhas onde as pessoas pairam.
aí está a grande desvantagem do mundo paralelo, essa impossibilidade de explicar, pois, para entendê-lo, se faz mister entrar e tomar suas próprias conclusões.
talvez não haja nada demais pra você lá.
mas volto a agradecer a acusação...
hoje compreendo que o fora jamais corresponderá ao dentro, sequer o mundo é espelho dos meus desejos e vontades.
fico bem com os meus sonhos e encaro esse mundo como o canteiro de obras pra realizá-los.

eu, eduardo timbó, vivo num mundo paralelo e exerço um poder paralelo.
eu fico com os meus botões
pensando nas respostas
procurando soluções.

mas é que tudo me falta
e do que não preciso
só me sobra.

não saio na rua
sequer na calçada
dois dias em casa.

mas é que tudo me falta
digo isso sem contar
sequer uma pipoca.
a mim agrada pensar no que você diz
pois muito raramente você diz o que pensa.

domingo, 12 de setembro de 2010

minha memória é o google.com
minha sociabilidade, o orkut.com
meu caderno de anotações chama-se twitter.com
meu álbum de fotos era o fotolog.com, mas como sou ligado no que há de mais novo agora é o facebook.com
[O símbolo, por definição, não é a própria coisa, mas a evocação, substituição ou representação da coisa ausente. Representar, aqui, significa: estar no lugar de ou passar por. Sim, substituir o ausente. E a palavra da poesia, a palavra poética, instauradora ou realizadora, que, por isso, é a palavra essencial, esta está subdizendo o poema, não é símbolo, não é representação ou evocação da coisa ausente, mas a própria coisa, isto é, a própria presença. Portanto, palavra poética não é recado, mensagem, aviso de nada. O poeta não é moleque de recado! (...)]

Fogel, Gilvan. "O desaprendizado do símbolo (a poética do ver imediato)". In: Revista Tempo Brasileiro,171, 2007.
sejamos claros.

é preciso um sorriso mínimo
um leve meneio de cabeça
dois silêncios e uma só voz.

sem isso a estrada não tem graça
é só curva e pedra.

sábado, 11 de setembro de 2010

está me saindo os olhos da cara
sustentar minha filosofia barata.
toda semana uma nova conta
mais um compromisso pra me ajustar.
e desse jeito vou me amarrando
quando me dou conta não dá pra voltar.
está me saindo os olhos da cara

sustentar minha filosofia barata.
-sou tudo o que você precisa.

ela então passou os olhos nele, de cima a baixo.

-jamais daríamos certo.
-por quê?
-você é muito crédulo.
Antes de ontem comecei a compor uma música.
Fiz uma nota, fiquei de lá pra cá com ela...daí me veio a idéia de um solfejo, uma quebra lá pelo meio e eu tinha uma idéia.
Daí saquei do meu gravador e registrei o violão e o solfejo na base do lará-lará.
Não gosto de compor olhando pro computador, mas por uma questão de praticidade resolvi escrever no bloco de notas. O caderno fica pra depois, não sejamos puristas.
A impressão que ficou da música foi boa e imediata, dai escrevi trechos,trechos, trechos...
Já tinha ali quase a letra toda, mas algumas idéias estavam mal-resolvidas, tanto na letra como no violão. Fui limpando, resolvendo, daí dormí.
Ontem terminei a letra, resolví o início e o fim da música.
Tomei a precaução de verificar se não parecia em demasiado com uma outra música que ´tava na minha cabeça, e verifiquei que parece com duas!Rs. Mas é possível que esse detalhe não fique aparente para quem ouve.
Gravei com as novas alterações e anotei as idéias de percussão, backing vocais, as chamadas, as nuances do violão.
Ainda não gravei valendo porque sei o quanto fico grudado no computador e por esses dias tenho outros compromissos mais urgentes.
Mas em breve eu apareço com ela.

Saudações universais!
eu toco você canta
eu escrevo você fala
e se, lá pelo meio, a coisa desandar
a gente samba gostoso.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

de que servem aqueles olhos que me traem
deixam a nu os meus desejos mais ingênuos
uma antiga vontade de ser astronauta, músico, velocista

de que servem aqueles olhos vagarosos
que não me deixam quieto, comum, ordinário
e acessam minhas margens, meu esconderijo

seu olhar me traz desconforto
faz o vivo bem menos morto.
alguns sentimentos funcionam melhor em sustenido
#
mas, para que se faça melodia
alguns devem dar-se por satisfeitos em bemol
b
o importante é que o coração nunca caia numa diminuta
°

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

[uma briga amorosa num supermercado]

cereja
uva
maça
iogurte de pêssego
...limão
sal
batata frita
esponja de aço
chuchu
e um abacaxi.
a felicidade você tira da cartola, a tristeza você põe nela.
são paulo tem dessas.

se você notar bem
um pássaro canta
lá no fundo.
a felicidade de estar entre as coisas.

de fazer das coisas mais que coisas
e tirar essa bola toda de quem se acha muito só por ser pessoa.

sábado, 4 de setembro de 2010

a queda é só um jeito diferente de enxergar o chão.
faz mais que 48 horas que estou acordado
não sei o que faço com tanto sono.
o que acontece quando você é pego mentindo?

as pupilas dilatam?
o pulso acelera?
a boca seca?

nada.

você se fudeu e só pode fingir que não.

o resto é resto.
gente, vota na Jossa-sa!
Tô participando de um festival universitário!!!!

http://www.funmusic.com.br/banda/?id=290

saudações universais!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

dicas de como saber se você está realmente ficando velho:

1. Acesse seu email.
2. Clique em 'Enviadas'
3. Releia todos os emails "importantes" desde o primeiro até o último.

Se você perceber uma fina ou grossa camada de gradação separando os primeiros emails, sempre para amigos, entusiastas e recheados de considerações sentimentais, dos últimos, que discorrem basicamente sobre trabalho, troca de informações e envios de arquivos importantes, creia, você envelheceu.

Saudações universais!

terça-feira, 31 de agosto de 2010

hoje eu sorri pela janela do coletivo
um sorriso muito bem acompanhado.

é por isso que cultivo o amor em mim
as pessoas em mim, isso não tem fim.

domingo, 29 de agosto de 2010

o que fiz está feito
mas o que não fiz ainda está por fazer.

agradeço por achar minha lógica nessa lógica.
quem inventou essa história de que não posso me arrepender nem fazer escolhas erradas e mesmo assim ainda gozar de certo prestígio?
te avisei,
mesmo
que nada.
aumente o som
feche os olhos
e seja passional.

sábado, 28 de agosto de 2010

é bom ouvir uma boa canção de amor...mesmo que tendo ao lado apenas café, jackson five, e obrigações caseiras...adiadas.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

não sei o que me espera
se é que algo me espera.

é possível que não haja nada
que nada lá exista de fato.

sábado, 21 de agosto de 2010

segura pela noite
andava de déu em déu
de mãos em mãos,
dançando, ela girava.

fato é que ela beijava
uma ou outra boca
de uns tantos caras,
era só cantada barata.

mas beijava com gozo
a boca encarnada,
e procurava em todos
a boca então desejada.

cansada, volta pra casa
beijada e beijando
mas a boca desejada
ela ainda está procurando.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

saber ir
pressupõe
saber voltar.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Postei mais uma música no www.myspace.com/jossanovaa

Chama-se "Um bom sorriso".
Bem, como sou um terrível propagandista das minhas coisas, só  me resta dizer: Ouçam e espero que gostem!

Saudações universais!

domingo, 15 de agosto de 2010

domingo
rio de janeiro
frio.

e no meio disso tudo
uma vontade de não ser
só uma paisagem.

sábado, 14 de agosto de 2010

tantos rostos.

e dentro desses rostos, tantas faces.

quem dera poder conhecê-los,
mas o olhar não conhece, só reconhece.

tanto rostos.

e dentro desses rostos, tantos disfarces.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

nada é mais aconchegante do que ter uma canção em mente
quando é usual mudarmos de certezas constantemente.

uma âncora que não pesa
uma ânfora que não vaza.

sei que essa nova canção irá se diluir em pouco tempo
e uma outra virá para lhe ocupar o bendito lugar.

uma tampa que não veda
uma vela que não rasga.

em bem pouco tempo o sentimento também escapa
e uma outra canção será a bola na caçapa.

uma cola que não prega
um prego que não mata.
[how am I supposed to pretend/I never want to see you again?]

Campus-Vampire Weekend
olha pros lados
perdeu o instante
o momento da certeza,
então você
olha pros lados
procurando o instante
a canção certeira,
então você
olha pros lados
foi só um instante
vê debaixo da mesa,
então você
olha pros lados
foi só um rompante
pequena asneira,
então você

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

quem disse que no amor há reciprocidade?
se fosse, amaríamos a todos que nos dão bons dias, boas tardes...

o amor, o amor é aquele que nos diz boa noite.
quarto limpo.

cama quase arrumada.

guardarroupa deveras organizado.

uma ou outra blusa por engomar.

mesa lustrada.

a conjunção desses fatores acima elencados proporcionam conforto, alegria e maciez.
ninguém aprende nada fora do amor.

...

apesar de que estar dentro dele
não garante sabedoria alguma.
cada homem está entregue em sua própria sorte,
não sabe bem por onde se movimentar.
e qualquer maior brilho no olhar do outro
faz acenderem todas as luzes da pista de pouso.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

o nosso problema é que a sua coca-cola sempre esquenta mais rápido que a minha.
não me venha com os seus segredos
os que quero são inconfessáveis.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

algo peculiar acontece quando envelhecemos,
quando percebemos esse movimento,

o olho encurta,
as mãos enrugam,
a testa franze,
os pés vacilam,

e nesse momento instaura-se um descompasso
pois ao mesmo tempo

o olhar aguça,
o tato vivifica,
o semblante dignifica,
o andar é de garbo.
 

[mariana, parabéns.]

é esse o clima...

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

não perdemos as pessoas, esquecemos de pensar nelas e elas de pensar na gente.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

você não gosta de mim.

você gosta de ter prazer
de bater na minha porta
querendo saber novidades,
o que eu fiz de novo.

você não gosta de mim.

você quer ter alívio
quando eu digo suportar
deus e o mundo e além
sem me transtornar.

você não gosta de samba
não suporta futebol.

eu bato na sua porta
trazendo novidades
e disso eu gosto
é o que melhor faço.

o afeto que te dou
não peço em troca
mas vê lá onde pisa
pode ter troco na volta.

[se isso fosse escrito a lápis eu sequer sentiria falta de uma borracha.]

terça-feira, 3 de agosto de 2010

gosto de falar do tempo
gastar ele
na falta de dinheiro.
praia.
belo visual.
uma vontade de fazer planos.uma urgência.
saco o celular e anoto um a um
como se fossem sms´s que jamais enviarei a ninguém
além de mim mesmo.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

menos velocidade e mais intensidade.

terça-feira, 27 de julho de 2010

não gosto de falar da morte
porque sei que ela trama pelas minhas costas.
e não há nada que se faça
porque, na espreita, sei que ela fala de mim.

é porque a gente pensa que morre
que tudo isso existe.

terça-feira, 20 de julho de 2010

acordei tarde,
achei tudo estranho e
fui checar o horizonte.

sim, ele ainda estava lá.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

gosto das pessoas que chamam gerúndio de geraldo.
Marx e Berman que me perdoem, mas tudo o que é líquido se faz mancha no chão.

sábado, 17 de julho de 2010

hoje faço um arroz, sem muito capricho, mas caseiro e bom,
enquanto relembro uma música no violão, meu companheiro.

limpo a casa, na impossibilidade de esvaziar minhas lembranças,
arrumo a mala porque a vida, essa não se arruma.

o café alaranjado, fica mais forte a cada dia,
a viagem, pra começar, só precisa de uma coisa, da ida.

É esse clima aí, malandro!
por enquanto sinto plenamente os espinhos do caminho
e jamais poderei afirmar que desconheco a sensação.

o que está em jogo é quando então sentirei as flores.
no entanto,
jamais poderei afirmar que desconheco a sensação.

É esse clima aí, malandro!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

quando na praia
não esqueça
de jogar areia no outro
um pouco de água também
olhar fixo para o horizonte
que não é fixo.

quando na praia
não esqueça
de repetir clichês de filmes
se é isso que te faz sorrir
e sentir pulsando a calma
que não é quieta.

quando na praia
não esqueça.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

às vezes irritante
e
às vezes irritado.

mas isso não é uma constante
nem um ditado.
não te ocorre que para sermos iguais
uma porção de nós fica ao largo?

quarta-feira, 14 de julho de 2010

não é muito, mas hoje rola um pão com ovo e um suco de cajú.

quando sozinhos, essas pequenas coisas assumem grandes proporções.

não é muito, mas hoje rola um pão com ovo e um suco de cajú.

sábado, 10 de julho de 2010

quando terei paz
para então enlouquecer?

quinta-feira, 8 de julho de 2010

se eu não tocasse bossa
talvez implodisse prédios.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

tomo café porque...


de manhã nada me cai bem.
antes uma xícara de café do que um copo de realidade.

tomo café porque...

o papo que rola é diferente do de elevador...
sempre o tempo...

tomo café porque...

leio em média duas páginas enquanto a água ferve
e tenho um dos pés encostado na parede.

tomo café porque...

juízo é mais caro e demorado.

[quem já foi no meu apê sabe, sempre há um bom café passado na hora e na minha cozinha, onde a tarde chega alaranjada, os papos se emendam uns nos outros]



quando chegar em fortal quero chamar meus amigos pra esse papo alaranjado na minha cozinha...lembrando...isso ocorre entre 5:00 e 5:30.

no rio o sol é mt diferente...

por isso tomo café.
você já fez pra alguém a cara de quem já matou alguém?

terça-feira, 6 de julho de 2010

para os caminhos só há dois caminhos...trilhar ou refazer.
quando fazemos caretas
parecemos outra pessoa
além das que já parecemos
costumeiramente.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

não tenho medo do presente, pois é onde estou e de onde dificilmente sairei.
do futuro, mesmo não sabendo quase nada, ainda acho encantador.

[quando criança, não tinha medo de me perder, soltava da mãos dos meus pais, o desconhecido me mete muito, muito pouco medo]

o que me congela, teso em meus calcanhares é o passado. é a sombra pesada e insidiosa do que já fui, e continua em mim sendo, e que não pode ser mudado. do que disse, do que fiz, do que ousei, do que pensei e não fiz. tudo isso me mete medo e me acorda umas duas vezes durante a noite.

[lembro quando criança que eu queria crescer logo pra saber como era o mundo dos adultos. já adolescente eu queria preservar a criança em mim com medo de crescer]

o passado me vem à cabeça como a maior das ressacas de uma das mais belas noitadas.

domingo, 4 de julho de 2010

existe uma grande questão aqui.
quando nosso relacionamento não vai bem e o fim se aproxima, vacilamos e reconsideramos, muito por medo de errar, damos um desconto ao outro e a nós mesmos.
mas quando acaba aí se implanta um terror. não sabemos se vai dar certo com outra pessoa, porque nossos erros ficam muito evidentes nessa hora, ficam muito expostos e não sabemos onde isso vai dar.
é bom quando as coisas fluem, mas nem sempre fluem.
...
depois de tanto tempo me pergunto:

como faz quando as coisas não fluem de jeito algum?

sem clima, malandro.

sábado, 3 de julho de 2010

eu estou aqui
na espera
no aguardo.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

o tempo não avisa,
pede benção e segue em frente.
...quem fala assim não gagueja.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

todas as canções são uma canção só
repartida em cerca de mil pedaços
plantados aqui e ali, no tempo e espaço
remendados aos bocados e nunca sós.

sábado, 26 de junho de 2010

foto.

movimento sem voz.
voz sem gesto.

rede sem balanço.

mais que um artifício
um descanso.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

quem disse que duas pessoas pretensamente plenas se esbarram na fila do metrô e assim o amor começa?

o amor mesmo já começou bem antes que se esbarrem duas pessoas pretensamente plenas no metrô.

calçando o tênis, na tentativa de resolver toda a vida numa fina equação de inspiração e expiração;
no ato de guardar delicadamente a chave no bolso secreto, aquele menor e mais seguro, sorrindo só;
levantando no meio da noite para enroscar a tampa da pasta de dente esquecida sobre a pia, creia,
o amor já comecou.

o amor
mais fino e mais leve que a areia do deserto
nunca nos abandona.
-Aí está o problema dos grandes livros e grandes amores...dão muito trabalho!

(...)

domingo, 20 de junho de 2010

não sei como fazer com as minhas lembranças.

se me vejo às voltas com chaves e documentos,
tantos esquecidos, perdidos, caídos de meus bolsos sempre tão seguros,
que dizer da minha memória, saco sem fundo
no qual às vezes também me vejo às voltas
tentando recuperar um rosto, um pano de fundo,
uma cena que eu perdi.

não sei o que fazer com as minhas lembranças,
sei apenas o que elas fazem comigo.

sábado, 19 de junho de 2010

passo calado um breve minuto.

é curioso notar-se calado,
uma função para a qual
parece que não fomos feitos.

uma máquina de café
com sérios defeitos.

é curioso, notar-se calado
delata um frágil segredo
para o qual não há refúgio.

a não ser ficar calado.
um olhar de encanto nunca foi a síntese de mil palavras encantadas.

[idéia sugerida por liana, uma pertinente e empolgante interlocutora]

quinta-feira, 17 de junho de 2010

...e que a beleza seja apenas a ponta do iceberg.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

acabo de constatar.
às vezes, quando escrevo, esqueco de respirar.
respiro tudo no fim.
hum! vitória boa essa de não se ganhar.

a quem entender possa.
quando me proponho a escrever é como se, numa conferência toda pessoal, aparecessem enfileirados todos os romancistas, poetas, músicos, filósofos, críticos, amigos, amigos-críticos (rs) numa disposição onírica.
e todos me olham e esse olhar é todo cobrança. fico intrigado e demoro a escrever, a pensar em escrever.

de repente acordo para a idéia de que tudo isso é uma bobagem. não escrevo pra eles, escrevo com eles, mas escrevo pra mim. gosto de pensar então que escrever é grafar, riscar, desenhar, diagramar uma centena de idéias que dizem outras idéias quando juntas. só assim relaxo, faço café e escrevo sem culpa, sem medo. culpa de não estar à altura, medo de falar bobagem.

no fundo sei que não escrevo bobagens completas, pois repasso meus textos para amigos-críticos lerem, me ponho aberto a sugestões, questiono, assimilo e adapto as que me interessam. me leio, releio e no fundo não escrevo tanta bobagem assim. por essas e outras gosto de pensar que escrevo como quem escreve pela primeira vez.

e vocês sabem, a primeira vez é sempre sem medo, sem culpa.

é esse clima aí, malandro!
grave isso:
a greve é de longe
uma coisa grave.
"(...) a coerência na contradição exprime a força de um desejo"
(J. Derrida, p. 230 in: escritura e diferença)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

"Nous perdons un temps précieux sur une piste absurde et nous passons sans le soupçonner à côte du vrai"
[Perdemos um tempo precioso seguindo uma pista absurda e passamos\ao lado da verdade sem suspeitá-la]
Proust, ed. Pléiade, III, p. 100

colhido em "Seis proposta para o novo milênio", de Italo Calvino.

sábado, 5 de junho de 2010

não estou mais em condições
de me ver chamando tristeza de meu louro.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

-de onde você tira a sua sensibilidade?

-lá de onde você a põe.
você sabe, eu estou por aí
me fingindo de morto
mas é só pra melhor passar.

pois quando tudo isso passa
eu enfim me reencontro.
você sabe, eu estou por aí

me fingindo de morto.
também sei ficar e ir por aí
mas é só pra melhor passar.

pois quando tudo isso passa
eu posso me reencontrar
mais vivo que morto.

[dedico aos meus amigos que estão no limite, envolvidos, absorvidos, planejando em silêncio seus planos mirabolantes de amor, poesia, música, vida estável. ver um amigo, e tudo aquilo que ele defende, triunfar é um prazer extremo. durmo em aconchego. é no limite que a gente se acha]

gxis revido, miaj amikoj!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

por falta de passo não se dança.
por falta de companhia também.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

não tenho dons divinos
não transformo;
não transmuto;
não animo.

mas isso não impede
bem seja dito,
o meu ímpeto
a minha flama.

[também] não tenho dons heróicos
não plano;
não flutuo;
não salvo.

mas isso não impede,
bem seja dito,
que eu me lance,
que eu alcance.

domingo, 30 de maio de 2010

eu não preciso de muito
mas que seja muito bom.
não importa o assunto
o que vale é o tom.

quando a gente conversa
não importa a conclusão.
mas quando a gente acerta
faz silêncio a confusão.

eu não preciso de muito
o que vale é o tom.
não importa o assunto
mas que seja muito bom.

quando a gente conversa
faz silêncio a confusão.
mas quando a gente acerta
não importa a conclusão.


fechou.
procure a sua válvula
e não escape.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

depois que se compra uma briga
tem que pagar,
pra não ser falado pela rua
como devedor,
que tudo pendura.

terça-feira, 25 de maio de 2010

e ai, Derrida ou desce?

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A mulher passa
O Homi Bhabha.
dê liberdade
e veja onde isso leva.

sábado, 22 de maio de 2010

se eu tivesse uma praia sob meus olhos
eu cantaria bem suave essa canção
sem propósito, num dar de ombros pras horas
eu cantaria bem suave essa canção.

mas eu não tenho sob meus olhos
nem essa praia, que dirá essa canção.
é com os dados que me viro
e com eles me dê muito bem.

Não quero viver desejando o que não hei de ter.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

penando sem pena.
vamos nós,
findos
e infindos.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

um simples boa noite já engrandece o sujeito.

sábado, 15 de maio de 2010

quando você fala perdão
é no seu ão que eu me perco.

sábado, 8 de maio de 2010

-Calma, Pablito.
Carlos Pablito refletiu bastante,
Nó da gravata já quase desfeita.

E decidiu que era tudo bobagem;
Porque essas coisas quem decide
É quem sente o a pedra no sapato.

Achou o caminho da saída fácil
Acendeu vitorioso seu cigarro
Vociferando pra si mesmo:

-Um dia também vou casar;
Mas eu mato o acaso
Se comigo for assim.

[Carlos Pablito é um cara difícil, o fácil que se dane].
quantas vezes Valerie bate à porta.

A pessoa certa na casa errada.

a gente bebe


a gente leva


a gente pesa,

mas quando juntos
a gente nunca se entrega.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

não concebo
mas uma vez concebido, entendo.
não concordo
mas uma vez acordado, entendo.

não entendo
mas uma vez entendido, é o jeito.

domingo, 2 de maio de 2010

'é quando os ouvidos estão cheios que a boca fica vazia'

sexta-feira, 30 de abril de 2010

quem já despertou
não resiste acordar
quem ainda dorme.

como todo sonhador
detesto ser acordado.

domingo, 25 de abril de 2010

http://www.youtube.com/watch?v=xW1xrizvDZs


'i get along without you very well'
interpretada por chet baker.


I get along without you very well
Of course I do

Except when soft rains fall

And drip from leaves then I recall

The thrill of being sheltered in your arms

Of course I do

But I get along without you very well



I've forgotten you just like I should

Of course I have

Except to hear your name

Or someone's laugh that is the same

But I'v forgotten you like I should



What a guy, what a fool am I

To think my breaking heart could kid the moon

What's in store, should I phone once more

No it's best that I stick to my tune



I get along without you very well

Of course I do

Except perhaps in spring

But I should never think of spring

For that would surely break my heart in two



ouço e nada mais.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

lá não há monstros, nem fantasmas, aparições de convulso medo.
lá tampouco é toda essa escuridão de que tanto se fala.

lá, na solidão, o que há é imobilidade, tudo está ao redor
mas nada está propriamente vivo.

é não ter um igual a quem se remeta
um estranho a quem se recorra
uma mão que fortaleça.

disso a solidão está cheia.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

hoje devorei um sanduiche
achando que asssim eu devorava
a minha própria idéia.

os meus olhos gulosos
e insatisfeitos destroçavam
o osso da carne.

mas no bucho pesava
apenas as partes
do todo roído.

terça-feira, 20 de abril de 2010

não, você não me conhece bem.

me conhece bem
quem entende
o descompasso
entre o que falo
e o que ajo.

sábado, 17 de abril de 2010

"Existem pessoas monocrônicas e policrônicas.




As primeiras só trabalham bem quando começam e acabam uma coisa por vez. Não conseguem ler ouvindo música, não conseguem interromper um romance para ler outro, senão perdem o fio da meada (...)



Os policrônicos são o contrário. Só trabalham bem quando conduzem várias atividades concomitantemente e, se se concentram numa delas, tornam-se opressos e entediados.



Os monocrônicos são mais metódicos, mas sua fantasia é às vezes limitada. Os policrônicos parecem mais criativos, nã raro se revelam atabalhoados e inconstantes.



Mas se formos analisar a biografia dos grandes homens, veremos que entre eles havia tanto monocrônicos quanto policrônicos"



Umberto Eco.
Carlos Pablito sem pena, sem piedade:

-Algumas canções são como uma brava ressaca moral.
Botam a gente olhando baixo, lágrimas semicerradas e pensando:

-besteira, besteira.
ouço você nas músicas
e, dessa forma, penso
como é bom deixar
a música nos conhecer.

nós, que tão pouco
nos conhecemos.

como é bom ouvir
uma canção nova
que parece velha
arrancada do peito
e feita canção madura.

e pensamos sem palavra:
como que me arrancaram
do peito essa canção
que eu nem sabia existir?

quinta-feira, 15 de abril de 2010

não crie distância, crie afeto que é melhor e dá menos trabalho.

domingo, 11 de abril de 2010

-Nós, acadêmicos, duvidamos radicalmente do que é óbvio, porque ele nos assombra.
Óbvio?
Óbvio é a mãe!
Pra acadêmico que se preze, óbvio é um xingamento ululante.

Fume sozinho o seu cigarro, senhor Carlos Pablo!

[sozinho boteco da esquina Pablito bafora e não sabe do que ri...]
vou te dizer o que me agrada:

vinho barato, companhia cara.
ninguém se sente bem
ficando só com o que tem.
vou te dizer o que me agrada:

cerveja barata, amigos caros
mesa pouca e conversa farta.

sábado, 10 de abril de 2010

Carlos Pablito:

-Ainda vou descobrir porque vocÊs do mundo acadêmico são tão descrentes das coisas óbvias.

Dito isso e baforou dignamente.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

o frio diz:

burt, burt, burt bacharach...

pra quem não tem medo de uma dorzinha de cotovelo bem gostosa.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

veja o engodo em que me encontro.
o intragável agora se passa como que cheio de gosto.
only love can break your heart.
se você parasse um pouco e me ouvisse
eu não precisava gastar tanta erudição.

terça-feira, 6 de abril de 2010

cismei de procurar formas, jeitinhos de não me desesperar.
já diria peirce, mundo é aquilo que, independente de sua vontade ou inteligência, ainda está lá...e esse mundo tem se mostrado bastante confuso, escorregadio, ardiloso.
estou testando jeitos, tentando formas de encarar esse mundo. as coisas vem aos solavancos, aos tropeços, às bordoadas.
já me vi diversas vezes enfurecido quando as coisas não dão certo. e isso leva embora uma grande parcela de minha energia.
estou testando outra forma de abordar´as coisas. admito a tragédia, mas rio da comédia. e só assim as coisas se tornam possíveis, passíveis de serem vividas.

e é com esses bocados que me viro.


saudações universais.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

sometimes you gotta say hi
sometimes you gotta say goodbye.

segunda-feira, 29 de março de 2010

a questão é que hoje em dia, por motivos de contigência, estou acreditando no que as pessoas dizem.
a vida tem dessas, mas aprendi a ter cuidado
pois, pra alguns, o rabo é que balança o cachorro

é com esses bocados que me viro
é com esses tantos que toco o barco.

a vida tem dessas, mas aprendi a ter cuidado
pois, pra alguns, o vivo é que está morto

é com esses bocados que me viro
é com esses tantos que toco o barco.

a vida tem dessas, mas aprendi a ter cuidado,
quer saber? taquí ó!

saudações.

(o rabo balançar o cachorro é uma metáfora usada comumente na política pra expressar como é possível usar qualquer situação, especialmente aquela em que o sujeito encontra-se em profunda desvantagem, a seu favor através de uma inversão fajuta, inconsistente, mas dita de tal forma e com tal ênfase que temos por verídica, ou pior, temos por justa, um fato ou colocação que é puramente enganadora, pior, injusta.)

alguns filósofos tem por infundada a busca pela verdade, uma vez que ela está sempre em velo, desvelo, preferem então a busca pelo justo, posto que nem sempre a verdade é justa e injusta a mentira. Ambas podem ser usada em prol de um ideal democrático, a justiça está no gesto.

Certa vez Dilma Roussefl foi acusada de não ser confiável por ter mentido na época da ditadura, ao que ela respondeu que se tivesse dito a verdade hoje haveria muitos mais companheiros mortos pela repressão militar, e que em tempos de ditadura a té a mentira é bem vinda se tem atrás de si um gesto democrático.

É apenas um desabafo. Conheco muitas pessoas que só buscam a verdade e são cruéis e injustas. Falo de uma pessoa de carne e osso, mais osso que carne, diga-se de passagem, rs. Osso duro de roer.

Entre o justo e o verdadeiro, fecho no justo.

quarta-feira, 17 de março de 2010

oito meses ou oito anos

quase oito meses depois e volto a ler um livro que usei em meu pré-projeto do mestrado.
algo me soa curioso depois desse algum tempo:
eu havia sublinhado algumas palavras para buscar referências posteriores no dicionário. esse comum mesmo de mesa de estudante colegial. mas o fato é que, apesar de ter um bem ao meu lado, nunca fui atrás de tais referências.
passei oito meses sem esquecê-las, vez por outra pensava no seu sentido, mas não me dirigi ao dicionário.
hoje, relendo o mesmo livro em doses homeopáticas, procuro tais referências e anoto de lápis nos espaços em branco.

constituo assim uma pequena horda marginália [acabei de abrir o dicionário no intuito de verificar a correta ortografia e sentido de horda] que toma já algumas das páginas do livro.
a questão é que as palavras estavam sublinhadas, a necessidade de verificá-las não passou, o dicionário eu o trouxe na mala, não sei o porquê de não ter efetuado essa simples operação.
isso me induz a pensar que na maioria das vezes quase tudo está ali, à mão, e todo o resto do tempo que gastamos é no intento de alcançarmos uma intenção, um gesto todo interno que nos empurra sobre e avante.
mesmo se eu tivesse levado oito anos para rever essas tais palavras e verificar as referências, ainda assim teria valido a pena, de forma retroativa tudo teria feito sentido, e além.
o que interessa é o real motivo para se fazer algo, para abandonar a inércia, para esticar a mão e pegar um simples dicionário.
oito meses ou oito anos, importa, mas pouco.

abraços de um monkey man.

sexta-feira, 12 de março de 2010

As coisas se processam de forma muito simples na cabeça de Carlos Pablito.
Daí alguns dizerem horrores de sua 'estreiteza de pensamento'.
Não sabem pelo que Pablito já passou, mas a questão não é essa.

Pablito prefere a simplicidade de um lp com seus chiados em 78 rotações
À fina e refinada camada de um cd refletindo um dissabor dos diabos.

Feito um dândi mal apanhado, um gato no ar, cigarro aos tocos, fala pra si mesmo
-Calma, Pablito!

quarta-feira, 10 de março de 2010

Depois que ela virou a esquina já trêmula, chorando, aos cacos, Carlos Pablito disse:

-Nunca, nunca brinque com um homem de sentimentos.

E joga fora o resto do cigarro.

terça-feira, 9 de março de 2010

menos off, mais on.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

mesmo quando fosse muito pouco,
ainda assim, mesmo reclamando
de alguma forma, você estaria feliz

mas dessa vez algo me faz suspeitar
dos seus suspiros tão irremediáveis
pois nada está tão fora de alvo

é você quem está em minhas mãos
ou minhas mãos que te envolvem?

pra tanta resposta, pouca pergunta
e nada desanina, só desalinha.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

muito le-rê, le-rê
e algum la-rá, la-rá.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

o que fazemos com os dias que ainda não vieram
com as promessas que ainda não se cumpriram
com os planos que ainda não deram certo.

certo é que não há nada o que fazer além do que já fazemos.

eu falo de mim, mas vale pra você também.

sábado, 30 de janeiro de 2010

precisar dizer menos
aprender a guardar segredos
encontrar satisfação na batalha e desconforto no descanso.

Carlos Pablito lamenta não ter uma janela
e gastar tempo pensando em tudo isso.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

um dia chegaremos lá.
a folha balança de leve
a árvore fica no mesmo lugar.
não há árvore que chegue
nem folha que baste.

são os mil exemplos. mas um dia se cansa.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Carlos Pablito se encontra numa encruzilhada.
Observa bem o semáforo, a sua antiga regularidade.
Carlos Pablito evita encruzilhadas a todo tempo
Detesta encontrar despachos sem solução.

Ele é apenas um transeunte.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

eu vou lhe dizer o que eu quero e o que eu não quero
do que você pode me dar
e que não vai te faltar.
e esse ano novo que alguns já podem ir chamando de velho...